que ingenuidade

pensar que vivemos num mundo livre. Pensar que após mais de dois mil anos, as condições de vida da maioria dos povos em diferentes partes do mundo eram reguladas por diferentes regimes e formas de escravidão. Achar que em um século, o século XX, seria suficiente para mudar a mentalidade das pessoas e seus modos de conviver, apenas o enunciamento - pago dolorosamente com o sangue de muitos - de novas regras no jogo do trabalho e os figurinos do teatro da vida social. Precisamos abrir os olhos e assumir que ainda vivemos substancialmente num mundo pós-escravo, num mundo pós-escravidão. Ainda não superamos a nossa obsessão de se diferenciar do outro por meio do contraste material. Não superamos a nossa obsessão em controlar, explorar, e manipular o outro a nosso favor. Por que não superamos esta obsessão em tornar o outro objeto a ser apropriado? Talvez por que num lugar profundo do nosso inconsciente coletivo ainda circula um impulso, um instinto, uma idéia, uma noção, uma crença de que a nossa felicidade depende e está atrelada à infelicidade do outro. Que tolo. Que burro. Que armadilha que não conseguimos nos desvincilhar, que nos faz andar refazendo círculos de miséria a nossa volta. E que com certeza nos mantém num nível muito mais infeliz do que poderíamos alcançar se nos livrassemos desta tola, cruel e perversa obsessão.
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