domingo, 8 de janeiro de 2012

Estréia do Duende D'água no espetáculo Árvore da Vida, Universo Paralelo, 2011 - Pratigi - BA.


Se você cultiva amor, alegria e paz em sua volta, acabará vivendo num jardim de felicidade. Palavra de Duende.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vivência de Palhaçaria, por Nelson Junot Borges



O primeiro contato com a palhaçaria surgiu de uma necessidade acadêmica e da curiosidade em respeito a uma oficina de palhaços. Com um misto de medo e ansiedade, fui conhecendo melhor e começando a entender que esta seria uma experiência que me traria uma profunda transformação, tanto na maneira de pensar quanto de agir.
As primeiras aulas foram importantes para entender a teoria da palhaçaria. Saber que o palhaço se diferencia por se colocar como alvo do riso foi como a descoberta de uma coisa óbvia, que para mim, e acredito que para muitos, não era percebida. O contato com outros palhaços, de diferentes lugares, permitiu um mergulho no mundo da palhaçaria, despertando uma empolgação quase que adolescente. Ver aquelas pessoas falando com tamanha paixão do dia a dia e falando das dificuldades e recompensas de ser palhaços e palhaças, mostrando a possibilidade de explorar seus próprios “problemas” foi um grande estímulo para a continuidade do trabalho.
Passado o encantamento inicial, pude perceber que seriam quatro meses de muita diversão, mas, sem dúvida, de muito trabalho sério e gratificante. Novos temas e exercícios a cada terça feira serviam para comprovar o quão difícil, e quanta técnica é exigida para ser um bom palhaço.
Entender a complexidade desta importante figura milenar da sociedade passa necessariamente por entender a diferença entre fazer ou ser a piada. Era compreender que o palhaço era movido pelo riso, e que iria muito além do nariz vermelho. Foi uma oportunidade de conhecer a história de grandes palhaços, desde os que herdaram uma cultura familiar de palhaçaria, até os que se formaram na vida.
Alguns exercícios marcaram o semestre e faziam muito sucesso durante as aulas como os temas do “tropeço”, do “esbarrão”, do “feião”, do “que legal”, entre outros. Seguindo sempre a linha do casa/caos/casa ou inverso, eram trabalhos que exigiam muita disposição e uma troca de energia e olhares muito profunda, causando uma verdadeira renovação e uma recarga de baterias, melhorando significativamente a semana. O efeito era tão intenso, que nas semanas de feriado, ou em que não pude comparecer a aula, a diferença de disposição e de energia era facilmente notada.
Dois momentos tiveram grande destaque durante a caminhada. O primeiro foi o contato com índio Ismael Ahprac Krahô durante um intercâmbio cultural de palhaçaria. Ahprac é um hotxuá, uma espécie de palhaço indígena, que veio a convite do professor Demian Reis, participar do Hein?ComTraço realizado em outubro de 2011. Este encontro reuniu palhaços de vários lugares para discutir a palhaçaria e, principalmente, gerar risos aos que participaram do evento. Ter contato com o índio foi como descobrir outra cultura e outro mundo. Apesar de tão próximo, a diferença era muito grande nos valores e costumes.
O elo de união estava no riso, os hotxuás tinham uma importância social muito grande na sua sociedade e eram profundamente respeitados por ela. Assim como os palhaços, eles se colocam como alvo do riso e divertem as pessoas com coisas simples e bobas do cotidiano. A ligação com a natureza chamava atenção em Aphrac, que nos ensinou e mostrou a riqueza da sua cultura, fazendo repensar muito tudo que fazemos e vivemos no nosso dia a dia.
O outro momento foi o batizado de palhaço, em que recebemos do professor Demian Reis o nariz vermelho. Junto com o nariz, recebemos muita dedicação e energia para a nossa iniciação. A caminhada para chegar a ser um palhaço não acabava ali, muito pelo contrário, a sensação é de que ali ganhávamos o direito de começar a ser palhaço. Ainda seria necessário muito trabalho e experiência para nos tornamos palhaços um dia.
O batizado foi seguido pela primeira experiência de palhaçaria fora da sala de aula. Saímos pela universidade vestidos e com a alma de palhaços, em busca do riso das pessoas. Claro que cometemos muitos erros técnicos, mas foi a primeira chance de sentir a força e a liberdade de ser um palhaço, que ultrapassa os limites do medo do ridículo e do julgamento das pessoas. Ao ser palhaço, gritar e fazer besteiras, deixam de ser loucuras e passam a ser uma profunda diversão para todos. Ser palhaço causa uma sensação de poder e de felicidade, difíceis de serem explicadas.
Outro momento interessante foi a reunião da turma para assistir o filme O Palhaço, que gerou um rico debate e permitiu perceber como o assunto da palhaçaria, infelizmente, ainda é negligenciado. Graças ao conhecimento desenvolvido durante o semestre, conseguimos enxergar o filme para além da história engraçada e comovente, e vimos que os palhaços pouco foram valorizados e explorados na história.
O semestre foi finalizado com a preparação para o espetáculo. A escolha de números e os ensaios foram tão gratificantes quanto complicados, pois tudo que foi trabalhado durante a oficina agora precisaria ser feito em uma data e hora marcada. Em uma construção coletiva, conseguimos realizar o espetáculo Arrumação, com números clássicos como o do Espelho Quebrado, que eu fiz com o colega João Gabriel, e outros números menos conhecidos. Com todas as dificuldades e defeitos comuns a amadores, que ainda somos, foi um bom espetáculo, que serviu para sentir um pouco mais sobre o que é ser um palhaço.
A oficina representou para mim uma grande oportunidade de auto conhecimento e de encarar dificuldades em busca de amadurecimento. Repensar é um bom verbo para exemplificar tudo que a palhaçaria me despertou. Através desta vivência, muita coisa foi ressignificada e repensada em minha vida. É difícil encarar o riso e a comicidade da mesma maneira, depois de ter sentido na pele o que é ser um palhaço. Sem ter pretensão de graduar em melhor ou pior, ficou evidente a diferença e o espaço do palhaço na comicidade.
O palhaço é solidário e corajoso, ele tem um caráter divertido, mas também denunciador de problemas e das dificuldades da humanidade. Colocar-se a frente de todos, expondo seus medos e dificuldades é um ato difícil, que nem todos conseguem fazer. Não posso garantir que um dia serei um palhaço, apesar de ser uma grande vontade, mas ter experimentado esta sensação é um motivo de grande orgulho pra mim, que espero ter pelo menos absorvido a essência do palhaço, o que já me transformaria em uma pessoa muito melhor. Muito obrigado a todos os palhaços do Brasil e do mundo.     
  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Ou toca ou não toca"



Apresentação artística final da componente curricular Ação Artística 2 ministrada pelo Prof. Dr. Sérgio Farias e o Prof. Dr. Demian Reis no IHAC/UFBA no segundo semestre de 2011.



"Arrumação"



Apresentação e processo final de curso de Improvisação e palhaçaria oferecido na componente curricular Laboratório de Criação e Prática Artística no IHAC/UFBA pelo Professor Dr. Demian Reis no segundo semestre de 2011.


Com a participação de Aline Carvalho, Caio Lemos, Claudia Pires, Flavio Ferreira da Silva, Guilherme Britto Storti, Iracerra Almeida de Lima Barreto, João Gabriel Lo Bianco Carvalho, João Pedro Matos, Joeli da Silva Diniz, Livia Michele Carlos Pinheiro, Lucas Andrade de Oliveira, Luciana Barbosa Rodrigues, Luisa Alessandra Figueiredo, Nelson Junot Borges, Ninete Alves de Jesus, Oaiana Sa Marques, Rosana Silva de Jesus, Silvana Vieira Argolo, Stephanie Ferreira Ferretti, Valnea Vilas Boas.

"E eu vou ficar sem comida?"


Apresentação de trabalho artístico final da componente curricular Técnias básicas para teatro ministrado pelo Prof. Dr. Demian Reis no IHAC/UFBA no segundo semestre de 2011. (Direção: Demian Reis. Elenco: Anna Brandão, Davi Novaes de Albuquerque, Ítalo Ribeiro da Costa, Luis Gustavo Souza dos Santos, Mayara Santana de Freitas, Pedro Almeida, Rafael Cardoso, Vinicius Arnaut, Virginia de Andrade Santiago, William Fabian Machado Vera e Ylena Airam Ribeiro Matos.)

domingo, 4 de dezembro de 2011

RESENHA sobre o Coringa em “Batman- O Cavaleiro das Trevas”, por Lívia Michele Carlos Pinheiro



Começo fazendo uma pequena sinopse do filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Neste a máfia de Gotham City é combatida pelo Tenente Gordon e pelo íntegro promotor Harvey Dent com a ajuda do Batman. Mas os criminosos viram o jogo quando recebem a ajuda do traiçoeiro e brilhante Coringa, que espalha uma onda de terror por Gotham ao manipular, com precisão, o medo da população da cidade.

No fundo, Batman - O Cavaleiro das Trevas, é um filme que mexe com os segredos mais bem guardados da psique humana. Tudo aquilo de ruim que tentamos esconder na sombra de nossa imagem pública, O Cavaleiro das Trevas revela, ridiculariza, ateia fogo e se embriaga com nosso medo.

O principal condutor desse turbilhão de sentimentos e reflexões é o vilão da história: o Coringa. Imprevisível, manipulador, sempre ameaçador e freqüentemente engraçado. Ele entende que Batman, mais do que um justiceiro, é a figura que dá sentido à sua existência enquanto vilão propagador do caos. Mais do que dinheiro, ele deseja notoriedade.

A partir daqui é que começo uma análise sobre o comportamento deste vilão e suas semelhanças com o arquetípico papel do clown. Percebo que este vilão não teria melhor representação do que a de um palhaço, figura onde tudo é ressaltado, sejam seus atos heróicos, seja sua dor e imbecilidade. Ressalto ainda que o Coringa apesar do seu papel denso na trama não deixa de ser um tipo cômico, afinal de contas, Coringa e deboche são duas palavras que se confundem durante várias cenas do filme. Destaque para cena em que o Homem-Risada aparece vestido de enfermeira. Impagável.

O Coringa é visivelmente inspirado no palhaço. A maquiagem e o figurino são inquestionáveis signos de identificação da linguagem do palhaço. A maquiagem do Coringa utiliza as cores básicas: preto, branco e vermelho; os olhos são bem marcados e a boca destacada; usa ainda um figurino que é aparentemente requintado se não fosse pelas cores do traje escolhido e os cabelos são coloridos (esverdeados) e desarrumados. Trata-se de uma representação simbólica, capaz de resumir a um espectador, de forma evidente e imediata, que está diante da ambígua, polêmica e paradoxal figura do palhaço.

Para além da maquiagem e figurino, o Coringa é reconhecido como um palhaço também pela sua função no filme. Ele é o denunciador das mazelas humanas. Coloca isso de forma nua e crua. Amoral, o Coringa, é um sujeito sem remorso, culpa ou piedade, um vilão que aprecia o sabor da morte, pois é na iminência dela que as máscaras caem e se pode conhecer a verdadeira face das pessoas.

É aí que podemos começar a entender melhor porque escolher a figura do palhaço para representar um vilão. Segundo Reis (2010):

“Palhaços escavam por dentro de quem constitui e sente o mundo tão visceralmente que o impacto sobre o espectador é quase sempre violento, exagerado, com uma medida de estranheza, e até terror, com feiúra, com todas as variáveis emocionais, do amor ao ódio. Porque tudo isso está soterrado em nossa humanidade. A humanidade de nossos corpos demasiado humanos.”

O palhaço é algo em estado puro, primitivo, que se liga ao mundo com o mínimo de amarras possíveis. É uma energia viva, é a sinceridade de se assumir limitado, de assumir a dor e ser capaz de rir com o objetivo de transgredir. Clown é transgressão de regras; o Coringa como bom clown é pura transgressão.

O palhaço é um transgressor e isto ocorre no momento em que, mesmo de forma sutil, oferece uma nova possibilidade para aquilo que se encontrava rígido há tempos. É a personificação do insólito, do não usual, da não norma. Ao palhaço todas as cores, formas e ações são permitidas. E já que ele possui essa permissão para brincar, acaba desempenhando um papel de questionador social.

O papel do palhaço seria o de questionar a ordem social e não exatamente o de modificá-la. O palhaço é a constante escapulida, a subversão da ordem e a subversão da subversão, pois uma vez subvertida, seu produto já não interessa mais; é nova ordem. Seu prazer está em agir e provocar uma agitação no público, incitando-o a repensar o mundo e a si próprio. O clown pode, neste movimento, ser um agente da ordem, mas nunca sem antes lançar sobre ela todas as suas cores, objetivando uma maior reflexão e ampliação do homem e de seu meio, agindo em seu imaginário.

O Coringa tem exatamente este papel no filme. Coringa é tão louco que queima dinheiro. O que representa isso? Que vilões devem desejar mais do que simplesmente grana? Provavelmente quase nenhum. Entretanto, todo bandido que busca dinheiro obedece a uma lógica matemática, o Coringa não. O vilão deseja apenas grana suficiente para comprar dinamite, gasolina e pólvora, ingredientes suficientes para provar que o mais incorruptível dos cidadãos não presta. Coringa representa o caos, é ele quem faz o circo pegar fogo.

Ele é ainda a representação do vazio: a diluição da máscara do civilizado que comumente colocamos sobre nossa natureza animal. Representa a renúncia de conceitos e valores na busca de um estado de esvaziamento, no qual o ser humano não tenta Ser, apenas está para a relação (com o meio e com os outros). O estado de “vazio” cria espaços às manifestações primitivas, destituídas de uma lógica convencional.

A função deste clown no filme é levantar a reflexão sobre o dilema de que nós todos temos que nos submeter ao limite do nosso gozo, devido às regras que são impostas pela vida em sociedade. Para isto ele utiliza as ferramentas da expressividade autêntica destituída de convencionalismos morais, a liberdade, a disponibilidade de correr riscos, o contato com a voz interior, a abertura e interatividade, o gestual jocoso e provocativo, a aceitação de necessidades emocionais verdadeiras, a superação de antigos condicionamentos, o contato com a sabedoria intuitiva, a dilatação perceptiva, a inocência, a pureza, a espontaneidade, o estado de presença.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"A verdade em jogo ou os papéis da palavra verdade no jogo do faz de conta", Meran Vargens, resenha por Virgínia de Andrade Santiago




Com o objetivo de trabalhar o valor da palavra verdade no trabalho técnico-expressivo vocal do ator, a atriz, diretora e professora de Teatro Meran Vargens, inicia seu texto trazendo para o trabalho do ator a perspectiva do jogo de faz de conta. Ela busca, assim, facilitar a incorporação e desincorporação de personagens pelo intérprete, fazendo com que ele entre e saia do papel que lhe foi incumbido com mais facilidade. Assim como o trabalho da voz, para Vargens, na dinâmica do jogo favorece ao ator ter uma maior expressividade nas suas esferas física, mental, energética e estética-poética.
Contudo, esse jogo possui regras. Ao contrário do jogo de faz de conta das crianças em que elas jogam consigo mesmas, o jogo dos adultos, do teatro exige a presença do espectador, com quem o ator forma um elo em que ambos definem em si condições específicas de consciência. E, se quebrada essa ligação, o jogo é abalado e dá espaço à mentira. Por isso o papel tão importante da verdade na produção teatral.
E, assim, Vargens estabelece os três papéis da verdade: 1) aquela existente apenas no contexto da obra, que segue seus próprios códigos que determinam uma possibilidade de verdade no que se refere à semelhança entre as experiências vividas e a sua representação e que necessita da presença do espectador, que compartilha com o ator os siginificados da linguagem utilizada (verdade cênica); 2) aquela criada pelo ator quando este apropria-se dos códigos de linguagem com precisão, o que exige que as crenças deste intérprete estejam vinculadas à significação destes códigos; 3) aquela que expressa a coexistência de duas verdades, a da vida real e a da ficção (verdade cênica), que atuam simultaneamente e são inseparáveis no momento do jogo.
E, como exemplo de trabalho com a verdade, trago a peça “Meu nome é mentira”, que é o espetáculo de formatura desse ano de 18 alunos do curso de Interpretação da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (ETUfba), escrita e dirigida pelo doutor em Artes Cênicas e professor da Escola de Teatro Luiz Marfuz. O espetáculo traz como conceito a frase do famoso autor alemão Bertolt Brecht: “na sociedade em que vivemos a bondade é uma exceção”, e apresenta como enredo o julgamento de um explorador de minérios acusado de assassinar seu empregado por motivo ideológico, movido pelas diferenças de classe social. Levado a julgamento, o tribunal se converte numa arena de absurdos onde juízes, advogados, testemunhas e atores mostram diferentes versões do mesmo fato, levantando questionamentos acerca da natureza do que se diz verdadeiro ou falso. Enfim, a peça é uma paródia à espetacularização dos chamados “julgamentos do século”, que fazem do fato uma ficção e da ficção a realidade dos fatos. E está enquadrado na proposta de Brecht, que propõe um teatro com capacidade de historicizar um acontecimento de forma crítica, tirando o espectador da passividade de mero observador/receptor e levando este a refletir sobre o acontecido.
Dessa maneira, é possível perceber a importância da verdade na apresentação teatral, pois, sem a “presença” desta, não se faz possível a interação dos atores com os espectadores e a mensagem que se procura passar não é transmitida. Por isso, a montagem de um espetáculo é tão difícil. Os atores precisam passar para o público, de forma clara, a significação dos códigos utilizados, o que não é tarefa fácil. E, assim, com menos de um semestre de dedicação às técnicas teatrais, me vejo com uma grande responsabilidade em atuar como o personagem “Tonhão” (presidiário que manda em todos os outros em sua cela, inclusive nos agentes penitenciários) na apresentação final da disciplina Técnicas Básicas em Teatro, pois necessito passar para o espectador uma verdade, para que este entre no jogo de faz de conta que estou propondo. O que, de forma alguma, é fácil.
Nunca estive contato direto com o mundo ao qual “Tonhão” pertence e, por isso, tive que fazer uma pesquisa para basear as minhas ações em cena, tentando passar uma “verdade”, a verdade da prisão. Por ser um personagem totalmente contrário a mim, tive que me libertar de algumas amarras e me “jogar” nesse jogo, fazendo com que o faz de conta se misturasse com a minha vida. “Tonhão” ainda está em construção, crescendo em mim, porém o meu eu ainda reluta em deixá-lo sair, até o espetáculo ainda é necessário muito trabalho. É por isso que o trabalho do ator não deve e não pode ser negligenciado. Estar, em um mesmo corpo, convivendo com duas “almas” que parecem verdadeiras em seus ambientes (Virginia na vida “real” e “Tonhão” em cena), despende energia e exige muito trabalho.

 

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