Diário de Bordo de Amélia Braga


Defesa de mestrado de Santiago Harris Hermida, 7 de março de 2012

No primeiro dia de aula, o nosso professor Demian nos informa sobre a defesa de mestrado do Santiago na qual ele faria parte da banca. Dirigi-me à defesa, repleta de expectativa de como seria, pois para mim era a primeira defesa que participaria como ouvinte. No início da apresentação o Santiago informa que estava muito nervoso e que contava com a ajuda dos presentes no evento. No projetor, eram exibidos fotos de vários momentos de Santiago em oficinas e apresentações, e sobre a mesa onde ele estava tinha vários pertences de palhaço como chapéu de bombeiro, nariz, gravata e no chão o seu sapato de palhaço.
Durante a defesa em que o Santiago apresenta a sua pesquisa à banca e aos ouvintes, poucas coisas me são familiares quanto a Palhaçaria, mais como querer entender algo que somente comecei há escutar um dia antes?!  Já quanto à Psicologia algumas coisas já me soaram familiares. Então, percebi que muitos que ali estavam também não tinham tantas informações  assim como eu, e que o momento era  propicio para escutar e absorver as informações que seriam passadas. Logo depois da apresentação da sua pesquisa Santiago aguardou as perguntas da banca que foram várias, algumas com ajuda para complementação a sua pesquisa e outras com certo ar de piada (seria uma tentativa para se tornar um palhaço).  Depois de todos os pontos levantados como perguntas o quase mestre responde às questões e os pontos levantados pela banca, com resposta acredito que clara e satisfatória.
Depois dessas respostas dada por Santiago a banca pede alguns minutos para avaliar o que foi apresentado e acredito que tenha sido boa a leitura da ata de defesa, pois sei que hoje o Santiago já é mestre com a sua pesquisa sobre Palhaçaria e Psicologia Bioenergética.

Aula de Santiago 10 de abril de 2012

O nosso convidado da vez, começa falando da sua primeira experiência com o palhaço, onde ele pequeno já  fazia a “arte do palhaço” e não sabia. Conta que não se achava engraçado o suficiente, mas se sentia muito atraído pelo palhaço e que participar de oficinas foi muito importante para a construção do seu palhaço e também seus atendimentos como psicólogo. Fala da importância do olhar na sua vida em cena e de como isso ajuda a encontrar a energia  para suas atividades. E logo depois, falou  da sua formação como psicólogo e de como ele juntou a psicologia à palhaçaria na sua pesquisa de mestrado, cuja defesa tive a oportunidade de testemunhar.  Cheguei a comentar do seu nervosismo no dia e ele falou que era um pouco da arte se manifestando. 
Falou sobre a sua pesquisa de mestrado em Palhaço e Psicologia Bioenergética, nos exercícios que ele utiliza na sua pesquisa sobre a “contração” que  provoca angústia e desprazer, quando temos coisas presas ou sensações desconfortáveis no nosso corpo e que o corpo nos mostra o que estamos sentindo, nas  repressões causadas pelos nossos pais durante o nosso crescimento, com os “não pode”, “não deve” , “é feio”, o quanto trazemos disso no nosso corpo.  Que a “expansão” provoca prazer e com isso a nossa sexualidade aflora, pois estamos nos sentindo bem com a liberdade. Citou alguns dos pensamentos e ensinamentos de Freud e Lacan.
Com os exerci os da Psicologia Bioenergética ele propõe uma terapia com o corpo, onde a respiração e vibração são os dois princípios da Bioenergética. E nos mostrou alguns exercícios que ele aplica, primeiro sentimos alguns pontos do nosso corpo como olhos, orelha, nariz,  boca, busto, ventre e sexo. Procuramos sentir todos esses pontos do nosso corpo e mais uma vez a respiração foi fundamental, mesmo não realizando movimentos como correr, pular e  dançar, a respiração é muito importante para sentir a pulsação dos seus órgãos. Deitamos no chão e buscamos posições confortáveis, utilizamos a respiração para sentir o nosso interior, procuramos despertar sentimentos adormecidos no nosso corpo. Enquanto realizávamos os exercícios, ele falava das possíveis reações e as relações desses sentimentos, tudo muito voltado à nossa sexualidade. 
Os exercícios nos despertam para ações e reações do nosso corpo com a nossa vida, nos faz pensar no nosso passado em algumas reações tomadas de maneira incorreta ou até mesmo não tomadas naquele momento. Os questionamentos são tantos que até gostaria de deitar em um divã e iniciar a minha sessão de terapia pessoal.  E mais uma vez, me sinto cada vez mais “afetada” com essas descobertas que a palhaçaria tem me causado. Em respeitar os limites dos outros, em buscar os meus limites e até mesmo superá-los para que assim possa me descobrir  e permitir que eu mostre o que realmente desejo.

Amélia Braga (Trechos do diário de bordo de componente curricular do IHAC/UFBA, 2012, Laboratórios de Criação e Práticas Artísticas, Ementa: Improvisação e Palhaçaria ministrado pelo Prof. Dr. Demian Reis.



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