Tataravó - resenha de Luiza Viana


Tatravó FIAC 2009 Foto Fátima

Fui assistir a este número em meio à Parada Gay, em plena tarde de domingo.Fiquei surpresa de realizarem a apresentação nesta data, o que já me chamou a atenção pela objetividade e concentração dos participantes: “Se é para ser feita, se independe das circunstâncias externas adversas.” Achei esta atitude meio quixotesca e tive que aderir a ela para assisti-la: atravessei a multidão com os travestis coloridíssimos, espalhafatosos, uma onda de muitos beijos escaldantes até chegar no Teatro Castro Alves e localizar o trio de palhaços, cada qual tocando um instrumento e com o som sufocado pelo som dos trios.Segui-os com o coração comovido diante da sua ousadia...Pareciam freiras numa discoteca...totalmente fora do contexto e da proposta da festa maior que estava acontecendo, e isto foi o que mais me impressionou...A convicção dos palhaços seria capaz de os fazer atravessar um campo de guerra, e chegarem ilesos ao outro lado, convencendo a todos a abrirem alas com sua decisão imbatível de prosseguir...!O pequeno grupo se infiltrava entre as pessoas, que olhavam surpresas e divertidas com sua audácia...Alexandre se ajoelhava para tocar e as pessoas também dançavam com ele.O palhaço do acordeon começou a cantar uma música cuja letra indicava que estávamos indo para a Escola de Teatro, como uma espécie de chamamento para o público.Achei este recurso bem criativo e estratégico!Chegamos na Escola de Teatro e lá havia um grupo já esperando para assistir ao espetáculo. Demian e Alexandre se desenvolveram bem, fazendo aquela parte do jogo de frescobol com o copo, a luta, a morte, e o povo se divertiu bastante, pois ficamos afastados do som do Campo Grande.Voltei para a Parada Gay certa de haver presenciado algo extremamente precioso, raro e imprescindível!Parabéns!
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