Cacilda! de Zé Celso teve sabor de chocolate de ilheus



Acompanhei dois dias de oficinas e os quatro espetáculos do repertório do teatro oficina Uzyna Uzona dirigido pelo iluminado Zé Celso apresentados no Teatro Estádio acampado no campus de Ondina da UFBA. Me senti conectado a uma experiência ritual que reunia antropofagicamente o jogo, a improvisação, a interação com a platéia, a sensualidade beirando a sexualidade, a música, o texto, a transgressão, a comicidade e a tragédia, e talvez acima de tudo, o erotismo dionisíaco. Tive uma profunda sensação de estar em contato com um teatro que sintetizava uma diversidade de princípios próprios da cultura brasileira na sua forma teatral. Ao mesmo tempo uma despreocupação em apresentar estes materiais como um trabalho sério, como um produto de consistência técnica. Sinto que eles investiram mais na relação e no efeito que a sua presença com esses materiais poderíam gerar com a platéia de cada dia, embora reconheço que foram mais felizes em atingir este resultado em Cacilda. Através da sua arte deixaram em mim uma marca amorosa genuína e sincera, de uma sinceridade brutal, lugar muito familiar às fogueiras dos espetáculos de palhaçaria, dos palhaços que buscam uma experiência extrema de exposição da humanidade. Reconheço um território cumum na forma teatral de Zé Celso e a experiência de liberdade extrema buscada pelo palhaço. Há nesse lugar, nessa fogueira, combustíveis comuns: a incondicional luta pelo amor, pelo prazer e pela liberdade de ser quem somos assumindo nossas diferenças e aprendendo a conviver com as diferenças que vemos nos outros, com alegria. Viva ao baco Zé Celso que nos deu um show de sabedoria nos mostrando como envelhece com alegria, cercado de pessoas que o amam e fazendo o que gosta.



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